PORQUE NÓIS NUM TÁ AQUI PRA SER LEGAL

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A justiça de olhos vendidos




O amigo da minha filha, com apelido de jogador famoso de futebol, está preso há cinco anos porque desesperou-se e foi conferir se era mesmo o companheiro de infância que jazia assassinado no meio da avenida. Acusado de chefe da quadrilha que tentou assaltar um PM, o companheiro de classe amarga o sol em quadradinhos – quando há – no x da questão.

Enquanto isso, na sala de justiça, o abominável aécio das neves, caminha de um lado a outro no angustioso espaço do lar. Quase livre das justiças, tenta livrar os parentes das medievais masmorras do nosso sistema prisional.

O abominável monstro das neves teme por ele e pelos parentes.

Mas Temer, tanto faz: dá de ombros. Mantém a pose e continua espalhando mijo e bosta nos currais.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A P2 (serviço de “inteligencia!” da polícia) seus boatos irresponsáveis e o PCC

ESSAS SIM SÃO CRIANÇAS DESAPARECIDAS EM SP CAPITAL. MAIS 2000 POR ANO!!!



A P2 (serviço de “inteligencia!” da polícia) seus boatos irresponsáveis e o PCC

Não é particularidade do Parque Bristol que vez ou outra escuta-se um burburinho afirmando que crianças estão sendo roudadas na quebrada, pricipalmente próximo das escolas. Como sabemos esse tipo de burburinho já foi responsável por pelo menos uma vítima de linchamento público. Sabemos também que aqui no Parque Bristol tivemos um único caso de um menino de cinco anos, há cerca de 25 anos atrás. Tal notícia espalhou-se pelas imediações e ainda hoje é comentada em nas rodas de conversa. Sua mãe percorreu o bairro durante amuito tempo, colando cartazes à procura de alguam pista, mas até onde sabemos, seu filho nunca foi encontrado.
Os burburinhos, ou boatos, sempre sugerem que um dos motivos para os supostos roubos de crianças seria a extração de órgãos humanos para serem vendidos. Na era da internet tais boatos voão em altíssima velocidade e usam principalmente a plataforma do Zap Zap deixando-nos num pânico só. Então, na última onda de boatos, entendemos que deveríamos ir até os locais dos incidentes e investigar os fatos.
Porém já no primeiro local visitado (escola José do Patricínio) tivemos uma surpresa: conversando com a população do entorno e com funcionárias da escola, fomos informados de que, na verdade, uma criança havia sido roubada em outro bairro, numa escola chamada Álvaro de Souza Lima. Assim, partimos pra lá e, de novo, as informações colhidas apontavam que o crime teria acontecido não ali, mas sim na rua José Pereira Cruz, próximo à EMEF Hercília. Como, a essa altura já era de se esperar, lá também negaram o roubo de crianças e indicaram outra escola (Júlia Colaço França), onde, obviamente obtivemos o mesmo tipo de resposta.
Como se vê, os boatos seguem um determinado padrão: os supostos cirmes aconteceriam sempre nas imediações de uma escola, não se sabia nunca o nome das crianças “roubadas”, nem seus endereços, nome de familiares ou vizinhos da criança e, por fim, nunca havia detalhes sobre a indentidade dos “culpados”.
“Só” essas inconsistências já despertaram em nóis certa desconfiança dos boatos. Porém , o ponto primcipal que nos fez desacreditar de vez dessa conversa fiada foi quando os áudios do zap passaram a culpar o PCC por serem os responsáveis pelo sumiço das crianças e venda de órgãos. Gente, todo mundo sabe que o PCC vende drogas, não órgãos. Além disso, seus membros têm família e se preocupam com suas crianças como todos nós. Esse tipo de terrorismo, felizmente, não é característico desta facção.
Logo, quem quer que esteja começando esses boatos, ao tentar jogar a população contra PCC, só faz confirmar uma coisa: são boatos.
E a quem interessa difamar dessa maneira a um grupo que é diretamente responsável pela redução de 80% das mortes em SP Capital e, por isso, tem o apoio popular? À polícia.. às autoridades “oficiais”, à coxinharia de plantão, etc....
Conclusão: P2, tá faltando inteligência nessa parada!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Política de Segurança

"A matemática, na prática, é sádica.
Reduziu meu povo a um zero à esquerda, mais nada.
Uma equação complicada onde a igualdade é desprezada"
GOG

I


Seis peixes dourados num aquário
diminuto como o mar é imenso.
Ao menos
não tem tsunami,
tubarão
boca aberta e os dentes.

Só o gato
brilha o olho o dia todo
e vira e mexe
bota as garras de molho.

II







Trinta peixes num aquário
diminuto como o mar é imenso.
Intenso, o  farol de gato
mira os ratos
cinzentos.

Vira e mexe o aquário explode
o caldo entorna e os peixes
saem todos correndo.



domingo, 5 de março de 2017

João Victor (era eu) somos nós










Quando eu era criança pedia esmolas na rua.

Pedia porque mamãe trabalhava, papai trabalhava, mas a vida em São Paulo era apenas um pouco melhor que em Milagres (segundo contaram meus pais). Então, no início dos anos 1980, nossa trupe de meninas e meninos saía dali de pertinho do Buraco do Sapo, cruzava a Cupecê e desembarcava em Moema, Ibirapuera e outros lugares mais verdejantes que o velho Jardim Miriam.

Eu era pequena, por isso, levada pela mão. Algumas vezes, por ser das menores, ficava incumbida de fazer a cara de miserável mais miserável do que a indiferença via e pedir a comida de sobra das famílias bem sucedidas.

Muitas vezes funcionava.

Voltávamos para casa alimentadas e carregadas de brinquedos que ninguém mais queria, roupas, calçados e até algum dinheiro. Às vezes algum dinheiro vinha.

Quando mamãe descobriu proibiu. E então nos resignamos na nossa pobreza.




Nem uma nem duas nem três. Mil vezes corremos desesperadas do SOS Criança, de cobradores com raiva, vigilantes com medo.

Crianças, nós ríamos. Crianças, nós corremos.

Felizmente tamo aqui ainda.

Ainda viva, gente.

Ainda viva…




Já pensou seu eu trombasse um habbib’s?

Ou se um daqueles outros me pegassem???

Era osso.

Foi osso.

Será osso toda vez que pessoas tenham que pedir esmolas e outros tenham que matar quem tem fome.



João Victor, sua história era a nossa.

Só que nós sobrevivemos… não sobrevivemos?

E você… nunca mais vai sentir fome.



Não é simples assim, eu já sei...  mas se permitam sentir um pouco de vergonha (esse sentimento revolucionário e pouco afeito a coxinhas e otários), pois a  História, como um novelo dialético de lã, vai e volta. Uma hora faremos justiça aos nossos ex-futuros homens.

Nós, as mulheres e homens, ex-crianças, na rua desse lugar sem nome, um dia te faremos justiça (justiça social, que se diga).

É o plano.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Sobre a natureza histórica das coisas




E a natureza das coisas

calou-se



e foi porque não sustentava-

se a nenhum olhar humano



como o rap não escrito

o soluço não ouvido

a chapinha esquentada

sem cabelo pra chapar



a natureza das coisas

calou-se

justo quando entendemos

que ela era o osso

enterrado nos escombros

únicos e húmidos

do olhar humano.


Prefeitinho branco de leite em pó


Caro senhor prefeitinho,


Sabe a história da branca de neve, não é? “Claro” que sabe. Rapunzel e o kibungo eram histórias impensáveis pra você na sua infância de família abastada.

Prefeitinho, prefeitinho… sabe a bruxa malvada que leva a maçã à princesa protegida por seus sete homenzinhos de confiança? Então. Essa bruxa somos nós, pais e famílias cujos filhos e filhas estudam na rede pública. Sou eu, mãe de três meninas que recebiam leite em pó em casa e nunca mais vão receber porque você dormiu bem naquele ponto onde o povo se esgota de esperar o ônibus e o desgraçado não vem.

Quem disse ao senhor, prefeitinho branco de leite em pó, que pode retirar um direito das mães e pais de família sem sequer nos consultar?

Sabe, prefeitinho branco, nós pagamos por esse leite. Ele não nos é dado de graça. Não é caridade do seu governo.

Então, se quiser destinar nosso dinheiro a outra coisa, faça o mínimo: pergunte onde queremos investi-lo. Vai que a gente escolhe um vale-frutas e legumes e carne – coisa rara na nossa mesa. Ou, o que é mais provável, vai que a gente escolhe que você tire dinheiro de famílias ricas como a sua para devolver aos mais pobres do país.

Nós, trabalhadores e trabalhadoras de nossa cidade, queremos o leite de nossas crianças de volta.

Devolva, ou aprenda, finalmente a lidar com bruxas e maçãs envenenadas. Não as do conto de fada...as malvadas que fazem greve, piquete, contrapropaganda e passeata.

Seus homenzinhos vão surtar de raiva quando te verem na lona.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Prefeitinho branco, prefeitinho cinza.

Caro senhor prefeitinho,

                                  a cidade de São Paulo anda cada vez mais cinza, graças à sua sem-gracisse de querer ficar enxugando gelo, apagando assinaturas, tags e retratos puros do caos que o sinhozinho preside.

Caríssimo senhor prefeitinho, o pixo no muro recria o intangível talento do povo preto, pobre, oprimido, em causar a angústia – efeito colateral do seu sistema branco e cinza. Liga?

Então, faz o seguinte, aceita meu conselho humilde: deixa o graffitti rolar… e o pixo… preocupe-se com ameaças mais garantidas de se resolver, como desfazer a imagem ruim que o sinhozinho deixou quando chamou seu eleitorado de idiota (não são idiotas… vocês é que são bons em marketing, caramba! Para de falsa modéstia!).

Prometo, senhor prefeitinho, que se a cidade mantiver seu colorido, ninguém mais vai grafitar pé-de-pato, nem @monstrobobinho. A partir de agora é só Black Panters, Cangaço Urbano e Feminismo.

Prometo ainda que pararemos de chamá-lo de prefeitinho cinza (eu sei que o senhor prefere o branco).

Tamo combinado, senhor prefeitinho?

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O diabo é a ideologia




O diabo é a ideologia


Quarta-feira Santa.
Dia de enfrentar o jacaré
preso na nuvem. último
resquício de nosso polipassado
de mata atlântica.

Aqui no baixo
as pedras 
trituram cabelos
e senhas.

Quarta-feira Santa.
Dia de entortar a lança
que interrompe meus meninos
de domingo a domingo
sozinhos
com a bala que voa, diet
entre a farda e o feitiço de classe.

O diabo é a ideologia.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Você sabia? Esta guerra não é entre facções


Alcaçuz, Manaus e Roraima. Você sabia? Esta guerra não é entre facções


As notícias correm mais soltas do que os prisioneiros em fuga da prisão de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, palco de uma das sangrentas chacinas, inúmeras e recorrentes violações de direitos, rebeldia e túneis cavados na areia. Sob as barbas feitas e as mãos bem lavadas dos nossos governantes, desde o dia 14 de janeiro, batalhas mortais têm sido travadas entre membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a facção recém apresentada ao país Família do Norte (FDN), aliada do Comando Vermelho.
A mídia fala o tempo inteiro em “guerra entre facções” e o país assiste atônito à suposta incompetência das autoridades em interferir e finalizar os conflitos. Entretanto, o que vemos em Alcaçuz e outros presídios de Manaus e Roraima não é uma guerra entre facções, mas uma faceta da luta de classes que permite ao Estado omitir-se, violar leis e ainda fingir solidariedade às famílias das pessoas assassinadas.
Essa tragédia nos lembra o tempo em que no Parque Bristol, periferia de São Paulo, as crianças jogavam bola ao lado de cadáveres. Tão perto que, se pudessem se levantar ainda, certamente eles dariam uma cortada no vôlei, ou um chutão na trave de pedras. Isso porque mortes violentas faziam parte do nosso cotidiano e o rabecão, sempre lotado, demorava pra chegar e transportar os corpos. Desde essa época, por volta de 1980, a mídia já tratava os conflitos ocorridos nas periferias de São Paulo como “guerra entre gangues” e “disputas por pontos de venda de drogas”.
Mas, eis que um dia surge o PCC – uma organização de pessoas aprisionadas voltadas à luta por direitos, pelo cumprimento das leis relativas à prisão (Oh! Paradoxo. Será mais uma das contradições do capitalismo?) e proteção de seus integrantes e familiares. O PCC foi resultado do abandono, da falha do Estado e da Sociedade, os quais enxergam a justiça pelo viés da vingança – ignorando deliberadamente todos os acordos mundiais relativos à garantia de Direitos Humanos, sempre festivamente assinados pelo Brasil.
Eis também que, contrariando todas as expectativas, o grupo de “pessoas criminosas” estancou a sangria periférica, estabeleceu leis, códigos de ética e de conduta dentro e fora das penitenciárias, diminuindo o número de homicídios em 80% no Estado de São Paulo. (Não. Geraldo Alckimin e sua PM não têm cacife para tanto e nem estão interessados em frear o genocídio contra o povo preto, periférico, que continua em curso desde a abolição da escravatura – afinal, sonhava-se um Brasil branco e capitalista.)
O sociólogo Clóvis Moura, em seu livro O negro na sociedade brasileira (1988), afirma que no Brasil houve um projeto de formação populacional que visava ao embranquecimento da população brasileira por meio da mistura interétnica, através da criação de leis segregacionistas e de estratégias de “imobilismo social”. E um dos resultados de séculos de discriminação é a presença maciça da população negra nas favelas, nos presídios e outros lugares de extrema pobreza. Podemos considerar que, nesses lugares, à estratégia do imobilismo social, citada por Clóvis Moura, soma-se o alto número de óbitos (genocídio) entre a população negra, como reforço a essa política de embranquecimento.
Assim, tanto os conflitos armados individuais que deixavam rastros de sangue nos nossos campinhos, quanto os coletivos que ora ocorrem nas penitenciárias brasileiras são apenas expressões de uma guerra maior, a qual possui traços étnicos bem definidos: De um lado a branquitude secular da elite (devidamente representada por agentes estatais, sobretudo os do campo da política), de outro a negritude da população carcerária e seus famílias.
Sendo assim, fervilham em nossas cabeças algumas perguntas: a quem interessa frear a matança nas prisões? Bandido bom não é mais bandido morto? Já pensaram se, como colocaram ordem nas favelas, o PCC ou outro grupo armado resolve e cria condições para pôr ordem no país? Nós já.
E considerando que a maioria das outras facções desenvoveram-se sob três bases altamente destrutivas (o mercenarismo, a violência e o baixo senso de solidariedade de classe - vide números crescentes de crimes violentos nos Estados onde elas dominam), e considerando ainda que tudo isso é perfeitamente compreensível, dada a situação de extrema desumanização em que vivem as pessoas encarceradas no Brasil, rezemos.
Sabemos que o que vamos dizer agora parece loucura, sobretudo para os coxinhas com catupiry. Mesmo assim, lá vai (tire a criança da sala): rezemos pelo PCC.
Ao menos com estes se pôde ver na prática a redução da violência nas favelas e, caso venhamos a cometer algum erro, com o PCC é possível reclamar um júri, defender-se e, quando for o caso, livrar-se do castigo – coisa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Contra o terrorismo de Estado


e os robocops do sistema, frio

 

 















O bicho por aqui tá sempre solto. Geralmente, fardado.

Como no filme Matrix, o melhor que fazemos quando trombamos um dos robozinhos do Sistema é correr. Correr feito lebre, apesar da recomendação do saudoso Sabota: “é melhor jogar pra cima que tomar delito alto”.

Mas, você sabe. A carne é fraca, nascemos com medo, e nem sempre o relógio corre a nosso favor. Vira e mexe o bicho fardado desenjaula-se em pássaros – estúpidos: atingem espelhos crentes que fazem seus ninhos chocos no peito do povo preto. E pobre.

Quando correr já não serve, as pernas não obedecem, o relógio resolve apressar a morte e o terrorismo de Estado alcança o alvo (quer dizer, o preto), a nós, resta fazer o quê?

Só no Estado de São Paulo, em 2014, morreram quase duas pessoas por dia, vítimas dos vermes. Devorados vivos, jovens, negros, sem dinheiro e sem comoção social.

Resta resignar-se?

Fazer de nossos corpos de adubo?

Fazer a boca grande e ser devorado pela boca pequena das formigas?




Resta nos resignarmos. Um pouco.

Resta nos indignarmos. Um muito. 






Não calamos, mas falamos sem jeito. Já sabendo que a escuta é precária. O pet é criado e nossa massa ainda se encontra abaixo (a sete palmos, talvez?) da superfície terrestre.

Contra o terrorismo de Estado, acendemos velas, encomendamos rezas, e falamos (baixo, mas falamos).




Vítimas dos vermes, uni-vos.

É o que nos resta.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Os CC’s, os PCC’s e os Direitos Humanos no Brasil






Aí o “ Coxinha” fala:

- Os direitos humanos só protegem os bandidos…

Prontamente responde o ‘Coxinha de Catupiri” (CC):

- Não defendemos os bandidos; defendemos que seus direitos sejam respeitados e que ele tenha um justo julgamento.

Insistentemente, continua o “Coxinha”:

- É, mas quando morre um policial ou um cidadão “de bem” vocês nunca aparecem!

Então, os “Coxinha de Catupiri”, mesmo diante dessa afirmação fraquinha, ficam sem argumentos.

KKKKK!!!!!!

Parece piada, mas, como eles podem não ter argumentos, se no Brasil simplesmente não existem defensores nem dos direitos da humanidade, que dirá defensores dos direitos de criminosos? (Só se for o Hobsbawm com seu livro “Bandidos”… mas ele nem brasileiro é...).

Os CEDECAS, por exemplos, antigos Centros de Defesas dos Direitos das Crianças e Adolescentes, incluindo o daqueles e daquelas que infracionaram (saudosos CEDECAS Interlagos, Sapopemba e Casa 10, o Movimento Meninos e Meninas de Rua), extinguiram-se ou se tornaram simples instituições conveniadas, sem condições de fazer mais que o trabalho burocrático de controle social de nossos meninos e meninas. No ano de 2013, o pastor Feliciano, notório machista, racista e homofóbico, presidia a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados!!!!

A pseudoesquerda CC não tem argumentos porque lhe falta coragem e porque se mantém distante da massa carcerária, da mesma forma que fazem com as bandeiras de luta da população negra. Não compreendem a urgência da discussão de tais problemas, antes, se envolvem em bandeiras que variam desde frear o aumento de 20 centavos na condução, até a defesa de animais, ou outra moda qualquer.

O pior é que aí, nesse meio, tem muita gente estudando (e não entendendo nada…) autores radicais como Franz Fanon, Clóvis Moura e até Angela Davis (que tá vivinha, firmona, pronta pra tirar nossas dúvidas...).

Porém os CC’s que adoram a leitura que Hobsbawm faz do “Banditismo Social”, adoram o “Cangaço Nordestino”, desconhecem que não foi em Alcaçuz ou em Manaus que as cabeças foram decapitadas pela primeira vez, Lampião era mestre nisso e teve sua própria cabeça decapitada.

Mas os CC’s estudam as Ciências Humanas por hobby (sim eu tenho um hobby; é vermelho…!). Aí, da arquibancada, ficam gritando loucamente contra as igrejas que invadem as cadeias e as favelas. Isso mesmo, são ativistas de gabinete, arquibancada ou biblioteca, que nunca seriam coniventes com o crime, e nunca o compreenderiam verdadeiramente como construção social, categoria econômica, e é por isso que abraçam discursos como o de que o PCC teria macomunado-se com o Alckimin. Por fim, usam-se de desculpas desse naipe pra dar as costas ao PCC e às circunstâncias de sua fundação (um ano após a pior tragédia brasileira na contemporaneidade: O MASSACRE DO CARANDIRÚ).




Então, pra que todos fiquem felizes, este texto tem que servir ao menos para dar um pouco de argumentação aos CC’s: é importante que saibamos, definitivamente, que não existem grupos efetivamente defensores de “Direitos Humanos” no Brasil.

Tem mais. Mas esse texto já cresceu mais do que devia. Fica pra uma próxima.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Sobre o muro dos EUA

Poeminha de circunstância extremada

                                     
                                 
                                         "Em tempos fechados de chuva
                                           só declaro amor ao sol"
                                                                  Landê Onawale    















Trump, Hitler e o capenga do Temer
(não necessariamente nessa ordem
de importância, tempo e tristeza)...
................................................................
Haja necessidade de demarcar territórios!

Caninos à mostra,
vão espalhando mijo e bosta
nos extremos.
.................................................................



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

GRÁTIS


Curso de  sociologia grátis.


Se ouvir até o fim, vale por uma pós-graduação lato sensu.

Chega de coxinharia, com ou sem catupiry.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

PRA FECHAR COM CHAVE DE OURO...
Hadad ( o prefeito galâ) resolve retaliar os pobres por não terem votado nele. Se quisesse teria deixado essa baixaria para o dória, mas fez questão de fazer, fez questão de escancarar o "Estado Mínimo" que seu projeto neoliberal sempre foi. MUITO RESPEITO AOS PETISTAS, repeito nenhum ao PT e sua grande cúpula maçon de dirigentes covardes e oportunistas FDP's, FDP's, FDP's. Hadad seu playboy FDP, o recebimento de leite aqui é muito importante. Pq ao invés de aumentar e deixar a batata quente pro Doria vc resolveu diminuir pra facilitar pra ele pra que ele não tivesse de sujar as mãos, mas não, resolveu fazer esse favorzinho pra ele não entrar e já ser perseguido. Muito respeito aos petistas, pena que eles não fazem a crítica, mas isso é de fácil entemento, pois quem está a dormir de nada tem culpa.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Já pensou?


 

 

À branquitude não solidária eternamente montada em seu Lobato.




Hoje fiquei matutando umas coisas… me fazendo perguntas numa série de “já pensou?”. Aqui reproduzo algumas:

Já pensou se o jogo vira e a negrada resolve pegar branco por branca, enfiar umas coleiras, proibir de usar roupas e sapatos de marca, expropriar os telefones, cortar o fio da internet sem fio, botar pra trabalhar forçado e comendo só arroz e feijão todo dia, todos os meses do ano?

Já pensou se tomássemos as casas, os carros, as contas bancárias e, aos revoltosos, sentássemos o couro? em praça pública?

Imagina o espetáculo…

Já pensou se todas as famílias ricas, assim, de repentemente, tivessem que viver na favela, à beira do esgoto, em barracos precários que inundam sempre que a chuva dá o ar da sua graça? Já pensou acomodar cinco filhos em um quadrado dois por dois? Será que cabem?

E se ainda por cima colocássemos os coxinhas todos no seu encalço? Noite após noite, dia após dia (isso eu acho não daria certo: nós temos vermefobia).

Mas como coxinha é coxinha, eles vigiam até mesmo dormindo, e sua cor jamais te deixaria passar em branco. As cadeias, portanto, viveriam repletas de gente como você.

Já pensou?

O contrário do que seu Lobato queria? Já pensou que somos maioria? já pensou se resolvéssemos correr atrás da limpeza étnica que ele e seus comparsas propunham pra nós?

Já pensou, ser mort@ porque é branc@?

Ser burr@ porque é branc@?

Ser fei@ porque é branc@?

Se não cagar na entrada, cagar bosta branca na saída?

Já pensou no Cabo Bruno, Conte Lopes e outros pé-de-pato do tipo andando no seu encalço?

Se não pensou, nem precisa.

Sua desumanidade inda mais nos humaniza, à revelia dos Lobatos, dos Bolsonaros, Contes Lopes e outros monstrengos da vida.

A dor (não que ela fosse necessária) nos deixou mais fortes e tenho quase certeza de que não lhe daremos o troco. Não na mesma medida.

Entretanto, o que for nosso por direito não tem conversa: tem conquista. E a elite tem razões “claríssimas” pra se tremer de medo.

Já pensou?

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Era do Vamover e a hora de mover


"Só que a Era do Vamo Ver transcorre lenta, placa tectônica grávida de terremotos. Decepcionada com o que a visão lhe trouxe ela se move, oculta no país das formigas, lentamente separa as terras do trigo e do joio, indicando que o momento de só ver chegou ao fim."



Resultado de imagem para show de rap na rua
As últimas décadas do “breve século XX” trouxe no seu bojo o legado de duas grandes guerras mundiais e seu prolongamento “frio” acima da linha Equador, junto com os “incêndios” nos territórios abaixo (vide o financiamento de grupos guerrilheiros no continente africano, por exemplo). Trouxe também o 'baby boom” brasileiro: uma onde gigantesca de futuros jovens que se somariam à geração rap, na disposição de cobrar o que era seu por direito.
Esse fantástico tsunami humano chegou a tempo, bem na hora. (Eu sou ruim em sintaxe, mas amo a morfologia das palavras, seus sentidos históricos que se agregam, desagregam e mantém a língua viva). Era a hora do vamo ver:
Vamo ver quem sobrevive aos atentados terroristas do Estado, quem vai virar mercadoria embalada sob o rótulo de militância política, divina ou cultural, quem vai simplesmente se vender, quem vai se doar, quem vai sair do milharal sem fim e virar pipoca macia pulando fora ao invés de ficar até se tornar adubo para o solo fértil revolucionário.
Era a hora do vamo ver quem quem vai ficar de frente, quem vai dar as costas ou andar lado a lado com o povo pobre, com @
s mais humildes, @s encarcerad@as, @s deprimidas, @s renegadas, afronordestinas, gays pretos e pobres, maconheir@s e fumadores de crack morando nas ruas.
Vamos ver quem persegue a loucura, ao invés de perseguir @s louc@s.

Aquela era, realmente, a Hora do Vamo Ver...
Mas aí, ce sabe, as esquerdas do mundo ocidental foram erguidas ao poder por força de um sistema contraditório que, para manter uma determinada elite mundial como mandatária do mundo, permite a ascensão de partidos pseudo-revolucionários, os quais, a história prova, estavam fadados a apenas reproduzir o esquema: há de se diminuir o embate físico para reforçar a violência simbólica e facilitar a cooptação.
Foi por isso que a hora virou toda uma Era... A Era das Catástrofes de Hobsbawm passou (embora ainda existam ameaças de fim do mundo e o mundo acabe cada vez que uma mãe preta vê seu filho morto – só no Brasil são dezenas de milhares por ano) e deu lugar à Era do Vamo Ver. E como vimos, esta última, começou há milianos: quando o rap nacional deu voz à favela, sonhou com o fim dos massacres ao nosso povo e revelou ao país a nossa negritude e força de transformação (seu filho quer ser preto? Há! Que ironia!).
Só que a Era do Vamo Ver transcorre lenta, placa tectônica grávida de terremotos. Decepcionada com o que a visão lhe trouxe ela se move, oculta no país das formigas, lentamente separa as terras do trigo e do joio, indicando que o momento de só ver chegou ao fim.
É a hora da mudança. É a Hora de Mover.



segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Temer, Haddad e as mudanças na escola.


Quando chamamos a pseudo direita e a direita de coxinha temos que lembrar imediatamente que a pseudo esquerda também é coxinha, só que de catupiri. A esta pesudo esquerda cabem os seguintes nomes: esquerda cerveja artesanal, esquerda cred car hall, litoral norte, esquerda cavear nos causos do eca, pet shop, cooperifa, esquerda almodovar, esquerda dog ville, Zéca Baleiro, que no passado foi esquerda Lobão, mas isso jamais admitirão, etc, etc.
Quando falamos que as ocupações nos colégios não passavam de ações orquestradas pela Apeoesp, PT e outras instituições da pseuda esquerda, ela disse que estávamos subestimando a capacidade organizacional dos jovens da escola pública.
No entanto o Haddad está falando, feliz da vida, que retomou o sistema de reprovações em detrimento da “progressão continuada” que ele, covardemente, passou a chamar de “aprovação automática”. Não vimos ocupações nas escolas.
Após o anúncio do Temer sobre mudanças no ensino médio também não temos notícias de escolas ocupadas.
Fica a pergunta: quando é que as escolas serão acupadas diante de mudanças tão radicais ? Quando é que as forças da pseudo esquerda vão chamar sua massa de manobra para a ocupação das escolas? Ou acreditam mesmo em espontaneísmo relâmpago?
Obs: Para aqueles que, acertadamente, acusam a PM paulista de assassina, faltou-lhes chamar a GCM de Haddad de higienista, pois os abandonados nas ruas do centro passam mal na mão deles.
Mas essa pseudo esquerda só pensa em si mesma e no PT que tratam com o fanatismo das torcidas de futebol. O PT perdeu diveros esquerdistas de peso, preferiu ficar com os tatos e mentores. Por exemplo: fez aliança com o Maluf e tudo mais, e mesmo assim os petistas se mantêm fiéis aos infiéis.
A esquerda coxinha de catupiri não pode questionar o Haddad se não vão pro saco os editais, os cargos de confiança e os caramba a quatro.
A pseudo esquerda, a pseudo direita e a direita querem que o mundo se acabe em sexo que é pra poderem morrer gozando.


sábado, 3 de setembro de 2016

Militância, Racismo e Pipoca






Porque minha escola elegeu Monteiro Lobato como patrono da Academia Estudantil de Letras?



Porque a petição contra isso, puxada por mim e com apoio geral da nação não vai pra frente? Afinal, nenhum de nós é racista, apesar de que o Brasil inteiro reconhece que sim, ele existe e se junta ao machismo para nos colocar cada qual em seu devido lugar de pobreza ou riqueza, baseado no degradê das cores das almas sinistras?



Porque temos no bairro uma rua homenageando um eugenista mundialmente conhecido?



Porque o genocídio da população, da juventude, das ciranças negras não comove? Antes, virou um clichê (tipo bife e batata frita, leite com mel e vitamina C pra gripe?



Porque o jogo político e a eleição de x ou y é mais importante do que minha vizinha querida que mora em um barraco 2x2 com sete filhos, marido, cachorro e agregados? Se, tanto faz um louco, um psicopata, um pastor ou um “revolucionário”, se chegou ao poder, ou governa para a elite e faz o jogo, ou morre?



Porque somos mais comprometidos com os partidos políticos do que com a libertação política e econômica?



É porque somos pipoca.

Porque não fazemos o que deveríamos, porque estamos mais preocupados com o ibope no facebook do que com o cuidado com o próximo, com o trabalho de formiguinha, que funciona, mas não nos torna popular.



É porque nos falta coragem para dizer o que precisa ser dito e pipocamos chutando os cachorros mortos da moda.



No começo, nóis é duro, mas quando a chapa esquenta, a gente cresce, fica fofo, branco e pula fora.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Na travessia do Mar Vermelho

Briga de cachorro grande


Rabugentos, rosnavam
marrentos
os cães de terno na conferência
canina.

Os machos latiam que certas fêmeas
no fundo, bem lá no fundo
eram comunistas
(ops! feministas)
e por isso certas coisas
mereciam.

Era briga de cachorro grande:
os pets da maçonaria.

Em clima de copa do mundo
nós, vira-latas sem títulos
sem terno nem gravata nem controle
remoto não mãos
assistimos silenciadas
o sete a um
pros alemão.
(Dinha)




 Ponto 50

Os poderosos passarão
e nóis
passarinho?

Não.

os poderosos passarão
e nóis
estilingue

Munição?
Ponto 50.

(Du)

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O porco que morava no reloginho de pulso do patrão

Era um tempo em que a vaca
era magra. Má
-gérrima.

E o leite se olhado não fervia
e se fervia
derramava.

Era o tempo só osso.
O relógio mais um porco.
Unicórnio
na córnea.
Roxo.

Já que agora o leite entorna
mas não ferve.
Queima a gente e manda à mer...
Difere
sem se importar conosco,
acertemos os ponteiros:
tá na hora de mandar o porco

para onde ele se possa esparramar.

........................................................

Mas o bicho dentro do reloginho
se recusa a me deixar passar

despercebida.





A propósito, link para o filme "O preço do amanhã". Torrent:
<http://www.piratefilmestorrent.com/2015/02/o-preco-do-amanha-blu-ray-rip-720p-torrent-dublado-2011.html>

domingo, 7 de agosto de 2016

Os sinos que não tocam




No topo do Bristol, já no pé da Av. Cursino
tem a igreja do Padre Paulo – e um sino.
Antigamente, na Paróquia Santa Crisitna
também tinha. Mas não sei se as quermesses,
os tiros, tanta morte de meninos, o sino
tardou calado. Ficou apenas ouvindo.

Hoje em dia só se ouve
o sino do Padre Paulo
Mas seu alcance é mínimo.

Não chega nas meninas
que resistem porque o macho
mais macho ficou ainda.

Não chega nos meninos
que choram no cárcere
ou são chorados nos túmulos.

Os sinos não tocam. O batuque
do terreiro de meu Pai Sozinho
não basta. Nem o evangelho de Lucas.

Mas se os sinos tocassem
o batuque bastasse
e o evangelho seguisse

Ainda assim não bastava
se a tvainternetapancada
não puderem ficar desligadas

um pouco
por dia.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Porque não tenho medo de barata, é só o nojo





"Servindo o Estado, um pm bom. Passa fome metido a Charles Bronson"


Eu era criança quando vi baratas invadindo minha rua.
A Vila Cristina ficou cheinha delas.

Eram tantas que ao invés de tentar matá-las, fugir para dentro de casa ou qualquer outra atitude covarde
corremos pra a rua, para vê-las mais de perto.

Por cima da nossa cabeça,
abutres nos vigiavam

salivando nosso sangue
torcendo pelos ratos
que entravam e saíam dos becos

Eu vi as baratas batendo-se
enquanto o gato pulava 
mil telhados e ia longe

de barba e cabelo feito.


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Drible da vaca na lei 10639/03



Não que eu seja especialista em futebol. Não mesmo. Mas o que eu tenho visto de drible por aí, só pra manter intacto o racismo nosso de cada dia, não tá escrito não. Mas... se estivesse, certeza que seria uma tragicomédia, baseada no humor negro e encenada pela plebe branca (branca até que se prove o contrário... Você sabe, olhando bem, no telão do replay, tudo é possível).

Pensei até mesmo em chamar o Michel Yakini, pra ver se ele me ajudava a escrever esta notinha – já que ele gosta e entende de futebol. E escreveu um livro todo com suas memórias futebolísticas (se não leu, leia. Vale a pena). Só que recorrer ao Michel levaria tempo... E até eu parar pra propor o trampo em conjunto, eu já teria engasgado – tem um bolo grudado na minha garganta e vai continuar por aqui até eu publicar este texto...

Com Yakini o texto ficava muito melhor, mas cê vai ter que desculpar a urgência...

O caso é que tenho registrado mil e uma maneiras de burlar a lei 10639/03: desde não incluir, deliberadamente, a história e cultura africana e afrobrasileira no currículo escolar, passando pela inclusão “exclusiva” (aquela que só mostra a gente escravizado, não conta que construímos este país) e, por fim, o famoso drible da vaca.



Trata-se daquela situação em que a pessoa (vamos dizer assim, de forma genérica) percebe o racismo dentro e fora da escola, faz cursos maravilhosos para compreender e combater essa praga, mas na hora H, na hora em que o bicho pega, sabe? Ela joga a bola prum lado e vai pelo outro, avança e pega a pelota de volta... Aquela hora em que é necessário abrir mão dos privilégios ilícitos e seculares da sua branquitude, a pessoa saca Monteiro Lobato e dá-lhe no lombo da molecada e de quem mais se meter pela frente.

O drible é perfeito, veja só: o próprio Ministério da Educação escolheu e comprou o acervo. Quem somos nós para dizer que não serve? Quem somos nós para evitar que as crianças de nossas escolas tenham contato com um autor que, se estivesse vivo (e certamente ele se revira, continuamente, em seu túmulo), quereria vê-las todas mortas? Essa negrada que impede o desenvolvimento do país?!

Acontece que esse jogo inda não acabou. E se sabem dar dribles de vaca... nós sabemos muito bem como fazê-la ir pro brejo... 

Mas nóis também sabe driblar. Depois que tomar um chapéu, não adianta reclamar com o juíz.
O que acontece no campo, fica no campo.


Por favor, assine a nossa petição:

CLIQUE AQUI Monteiro Lobato: por que não?


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Pequeno manifesto contra a perpetuação do racismo institucional: rediscutindo Monteiro Lobato

Assine a petição:

https://secure.avaaz.org/po/petition/Ministerio_da_Educacao_Fim_da_violencia_racial_nas_escolas/?pv=4&fb_action_ids=1805611896328224&fb_action_types=avaaz-org%3Ajoin


Rediscutindo Monteiro Lobato: pelo fim da violência racial nas escolas

Há pelo menos seis anos paira a polêmica: devemos abrir mão da literatura escrita por Monteiro Lobato, devido às inúmeras acusações de ocorrência de racismo nas suas obras? Antes de responder a essa pergunta, nós a devolvemos com a seguinte analogia: devemos entregar facas nas mãos de crianças, deixar que se firam para, só depois, impormos os necessários limites?
A resposta a ambas as perguntas é, obviamente, retórica, pois o racismo tem o poder de ferir tão gravemente quanto qualquer arma “branca” e a analogia nos ensina que não, não se deve deixar que as pessoas corram risco de ferimentos graves à toa.
Para quem não sabe, Monteiro Lobato era o tipo marqueteiro, bolsonariano e hitlerista: eugenista de primeira, ávido por curtir um país de supremacia branca e mão de obra barata preta – desde que a miscigenação fosse evitada, o sangue “ariano” se mantivesse “limpo” e a negrada em seu devido “não-lugar” (as cadeias, os hospitais psiquiátricos, os subempregos...), é lógico.
E como bom eugenista que foi, o dito escritor fez questão de usar sua literatura (?!) para higienizar o país – ele sabia que as palavras tinham força e que a ideologia do branqueamento era muito mais efetiva quando atrelada à “arte”.
Seus defensores e defensoras, entretanto, insistem em dizer que ele foi simplesmente um “sujeito do seu tempo”... e que, portanto, estaria apenas reproduzindo em sua obra um racismo compartilhado por toda a sociedade brasileira. Só que não. Quando algumas de suas cartas foram enfim divulgadas, provou-se que o extermínio do povo negro, a limpeza étnica, era parte importante de seu projeto “literário”. Provou-se também que as expressões racistas empregadas nas Caçadas de Pedrinho, por exemplo, não eram simples reproduções de algo até então aceito, como querem nos
fazer crer, mas sim a execução de um plano de extermínio de toda uma população via imaginário popular.
Assim, em nome de um suposto valor literário (não entraremos nessa seara, embora saibamos que a literatura, enquanto arte, tende a nos aproximar do gênero humano e não o contrário, promover a cisão, como fazem as obras desse escritor) e muito lucro editorial, ano após anos são reeditadas e, pior, compradas com dinheiro público os livros de Lobato.
Para piorar ainda mais a situação, diversas escolas públicas têm eleito como patrono de suas Academias Estudantis de Letras – AEL's – o famigerado escritor.
Ora, embora a história do nosso país faça com que a maioria de nós, brasileiros e brasileiras, tenhamos verdadeira ojeriza à censura, há que se garantir que as leis – sobretudo aquelas que dizem respeito à preservação de direitos humanos, à Constituição Federal e ao Estatuto da Criança e do adolescente sejam efetivamente cumpridas.

Desse modo, acreditamos que permitir a eleição de Monteiro Lobato como patrono de nossas crianças (majoritariamente negras) seja reflexo não apenas da falta de tratamento sério dado à questão racial nas escolas (uma vez que nossas crianças são bastante sensíveis e inteligentes... não o elegeriam se soubessem o quão racista ele era), como também é expressão de um racismo institucional que viola todas essas leis acima referidas, além de outras mais, como a
10639/03, por exemplo.
Assim sendo, exigimos o fim da violência racial institucional nas escolas e a promoção de amplos debates envolvendo as comunidades escolares como um todo sobre as questões étnico-raciais. Desse modo, garante-se a manutenção da democracia ao passo em que se diminui as possibilidades de perpetuação do racismo.
Por fim, repetimos: nossas crianças são sensíveis e inteligentes. Quando devidamente informadas/formadas, não permitem o elogio a genocidas, a racistas e algozes. Não permitem Monteiro Lobato como patrono.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Portantos Seu Chico. +

"Essa cova em que estás
com palmos medida
é a conta menor 
que tiraste em vida"
JCMN-



















Seu Chico.
Indiozinho urbanizado
arrependido nas fronteiras das cidades
e enterrado até o osso
numa terra sem milagres.

Seu Chico.
Indiozinho desbravando os colossais
troncos de prédios e avenidas
entupidas de cavalos mecânicos
e animais que sobrevoam a cidade
sem saída. Sem ouvir o nosso canto
esperanto entre o trabalho, a cachaça
e o arroz com feijão sempre aos poucos.

Olha lá Seu Chico agora. Retirante
muito longe do litoral.
Fugiu das trilhas de fome da terra natal
findou preso e devorado por arranha-céus.
Calado por um tubo
furado pela inútil
agulha da morfina.

Mas Seu Chico teve sonhos.
E Seu Chico  teve encantos.
Portantos,
a partir de hoje
toda noite
o forró corre solto

no céu.